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viernes, 24 de febrero de 2017

Madrileños en Lisboa (y II)




Ya hace tres años y medio que publicamos un texto muy especial. Era la carta que nuestra lectora y amiga Teresa escribía a sus sobrinos antes de que viajasen a Portugal. Teresa, gran viajera y conocedora como pocos del alma lusa, dedicó a sus sobrinos una especie de libro de instrucciones para adolescentes muy útil y perfectamente transpolable a cualquier edad y a cualquier madrileño que quisiera acercarse a conocer Lisboa.
En realidad era una Carta de amor a Lisboa. En ella se decían grandes verdades, a veces duras, pero muy reales. No hablaba de tópicos sino simplemente de cómo llegar a conocer el alma de la cuidad y de los lisboetas.  
Ahora, a petición de Teresa, traemos de nuevo la Carta de amor a Lisboa pero esta vez traducida al portugués (*) por la traductora y fotógrafa Maria Lourdes Ribeiro para que escuchemos como suena este texto en la dulce lengua de Camões. Disfrutemos y aprendamos con  ella. 



CARTA DE AMOR A LISBOA

Para que a viagem seja inesquecível enamora-te de Lisboa: do seu povo e da sua luz, das suas cores e do seu ambiente, das suas ruas e praças, das suas fontes, dos seus miradouros, das suas escadinhas, dos seus parques e jardins... Vai-te ser muito fácil, Lisboa deixa-se amar!

Se não fizeres isso, quando regressares da tua viagem, só trarás uma quantidade de tópicos: que são tristes, que falam pouco, que estão desactualizados, que não era tão barato quanto esperavas.... E sem teres apreciado o que, verdadeiramente, deve de ser visto, o que nos une e o que nos separa... não te terás aproximado da alma portuguesa.





Viaja nos seus eléctricos, sobe nos elevadores, e dos seus miradouros percorre com os olhos todos os seus bairros; anda de barco e de combóio, o metro irá surpreender-te com as suas estações impressionantes e originais, o teleférico no Parque das Nações... atravessa as pontes e os seus arcos, contempla as estátuas ilustres e populares.





Abeira-te do Rio Tejo, e deixa-te acariciar pela sua brisa... até te pode surpreender uma chuvada de Verão... logo virá o Sol, esse Sol dourado de Lisboa ao entardecer...





Não vás como um turista reivindicativo e ruidoso, não te aches com direito a tudo porque pagas; não penses que têm a obrigação de te entenderem, o seu idioma é o português -em Paris ou em Londres não o exigirias- Pede as coisas por favor, com um sorriso, e agradece "muito obrigado", cumprimenta com um "bom dia" ou "boa tarde" e vão atender-te amavelmente. Dificilmente encontrarás um português indelicado, se ocorrer, pensa que pode ser que estejas pagando por outros que terão sido arrogantes...

Perguntas-me se não têm defeitos?!!! Sim, terão certamente, mas os olhos enamorados não os vêm como tal, e em caso algum os divulgam.

Ah, lembra-te que estão orgulhosos de serem portugueses (nisto podem dar-nos lições). Diz Luís Figo: "Eu sou português". É um povo sensível, dizem que pequeno, pacífico; os portugueses só tiveram uma guerra civil e a revolução mais terna da história em que os militares em cima dos tanques meteram cravos nas espingardas para não dispararem.





Voltemos a Lisboa:

Encantar-te-á a luz da manhã e da tarde brilhando nas suas fachadas de azulejos de tantas cores, ver o pôr do Sol no mar. Brilhante, o Tejo te encantará ao cruzá-lo de carro pela Ponte 25 de Abril ou pela via férrea ou a bordo de um cacilheiro cheio de portugueses que voltam do trabalho ou das compras e com alguns turistas como tu! Não há nenhum rio peninsular onde se veja isto, nem em sonhos !!!





Podes contornar a orla do Tejo seguindo a via dos caminhos de ferro até Cascais que é, nem mais nem menos, que o Oceano Atlântico ou pelo interior até Sintra -uma maravilha!





Compreendo que já estás fascinado com tanta beleza... e quase não vimos nada de Lisboa.

Vamos descansar sentados num café no Rossio, por exemplo, ou num restaurante se forem horas de comer ou de jantar, de preferência onde comem os portugueses, que sabem comer bem e económico...





Deixa espaço para os pastéis... Falando de pastéis: Vamos a Belém.





A Torre de Belém vai-te deslumbrar, rodeada pelo rio, como se fosse um castelo de fadas moldado na areia por uma criança, por ti mesmo quando eras pequeno.




Passeia até ao Monumento dos Descobrimentos e admira as suas figuras históricas tão humanas e contempla a Ponte 25 de Abril desde a Esfera Armilar, aproxima-te da Rosa dos Ventos e com os teus próprios pés vê se pões um em Lisboa e o outro em Madrid. Que perto que estamos!

Tira uma foto, tira muitíssimas fotos: são lugares demasiado belos para guardares somente na tua memória.





Senta-te um pouco e pensa: Como não ter "saudade" se a sua história foi sair pelo Mundo e descobrir terras desconhecidas ou sair pelo Mundo para ganhar a vida?! É um povo de emigrantes. É um povo trabalhador.


Seguimos para Belém: Tira o chapéu ante a fachada do Mosteiro dos Jerónimos! e não te digo nada quando entrares na sua Igreja! Maravilhosa!
Descansa no jardim e come um pastel (de Belém).






Depois apanha o "eléctrico 15" até à Praça do Comércio, percorre-a, entra na Rua Augusta pelo seu grande Arco e quando vires o Castelo de S.Jorge contempla-o. Da sua muralha, alguém te está vendo a ti.





Procura o Elevador de Santa Justa, sobe-o e admira, do seu terraço, toda a Lisboa e as cidades da outra margem do Tejo. Há uma dezena de miradouros oficiais embora toda a Lisboa seja um miradouro.


Estás na Praça da Figueira ou no Rossio. Que praças! Olha atentamente o chão. É a calçada à portuguesa. E podemos pisá-la... não se estraga!!!




Segue descobrindo esta cidade em que Miguel de Cervantes teve amores com uma misteriosa e bela lisboeta. Que amantes de Don Quixote de La Mancha são estes portugueses!

E conforme vais conhecendo esta terra, mais quererás saber do seu idioma, da sua cultura, das suas canções, do seu modo de ser e de viver ... e porque motivo têm tanto receio dos espanhóis, e algum dia, quando tiveres voltado muitas vezes, lamentarás que a história nos tenha separado de tal maneira que vivamos de costas voltadas.


Quando regressares a casa, vendo as fotos, pensa no sítio de Lisboa que mais te emocionou e promete a ti mesmo voltar ali, algum dia, com a pessoa amada. Isto é Saudade!





Se a viagem te tocou bem no fundo, quando falares com os teus amigos não serás como esses turistas que julgam que conhecem Lisboa -e Portugal inteiro- depois de passarem um fim de semana metidos num autocarro cheio de espanhóis com um guia que lhes explica em espanhol o que vêm através do vidro.





E para preparar a próxima viagem a Lisboa, ao Porto, a Évora, a Viana do Castelo, a Aveiro, a Guimarães, a Coimbra, a Setúbal, a Espinho, à Nazaré, a Amarante... à Madeira ou aos Açores lê os autores portugueses.





Dizia José Saramago na "Viagem a Portugal" que o viajante voltava aos lugares para ver de noite o que viu de dia, com sol o que viu com chuva, no verão o que viu no inverno... Não queiras ver tudo: deixa pendente sítios imprescindíveis para teres que voltar.





Felipe Mellizo, que era uma boa pessoa, jornalista espanhol, amante de Portugal, dizia que LISBOA é o derradeiro destino dos espanhóis que foram bons nesta Vida ...




Esta carta en portugués es el resultado de una gran amistad ibérica entre Teresa y Maria Lourdes y bien podría simbolizar el inicio de una meta por alcanzar de Amistad/Amizade entre nuestros pueblos, como la que D. Miguel de Unamuno tuvo en su gran amigo portugués Teixeira de Pascoaes; la que José Saramago tuvo en Pilar del Río, algo más que un pilar de apoyo español... 

... Carlos V e Isabel; Felipe II y Ruy; Fernando VI y Bárbara; Alice y Ernesto; Almada y Ramón; Lidia y José... 

... Cristina y David; Catarina y Fernando; Filipa y David; Joana y Alberto, Catarina y Alejo, Filipa y Antonio... 

Todas son historias de amor y de amistad, de pessoas que han trabajado y trabajan hoy por el proyecto de Amistad/Amizade entre los pueblos ibéricos a partir del conocimiento y la amistad entre sus habitantes. 

¡Sigamos trabajando por él! 


(*) Esta traducción no sigue el AO (Acuerdo Ortográfico) y para su publicación hemos respetado íntegramente el texto recibido.


IMÁGENES:

Maria Lourdes Ribeiro
Pessoas en Madrid (1, 9, 10, 12)


AGRADECIMIENTOS:

A Teresa Sánchez Lázaro, por su complicidad en todo este asunto.
A Maria Lourdes Ribeiro, por el perfecto resultado de esta difícil "encomenda".


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lunes, 15 de julio de 2013

Madrileños en Lisboa (I)



Ya llegó el calor a Madrid y, querámoslo o no, aquí no hay playa. Cada vez son más los que deciden ir a Lisboa también por estas fechas porque allí, además de una temperatura suave, hay playas en los alrededores para todos los gustos.
Una lectora nuestra, gran viajera y conocedora del alma lusa en profundidad, nos remite una carta que escribió a sus sobrinos cuando iban a viajar a Lisboa. Era una especie de libro de instrucciones para adolescentes muy útil para estas fechas y  perfectamente aplicable a cualquier edad, para cualquier madrileño que quiera acercarse a conocer Lisboa.
Es una carta de amor a Lisboa. En ella se dicen grandes verdades. A veces duras, pero reales. No habla de tópicos sino de llegar a conocer el alma de la cuidad. La transcribo con todos sus puntos y comas. Con un par de correcciones que sólo ella conoce y sabrá aceptar:
CARTA DE AMOR A LISBOA.

Para que el viaje sea inolvidable enamórate de Lisboa: de su gente y de su luz, de sus colores y de su aire, de sus calles y plazas, de sus fuentes, de sus miradores, de sus
"escadinhas", de sus parques y jardines... Te va a ser muy fácil, Lisboa se hace querer.


Si no lo haces así, cuando regreses de tu viaje, sólo traerás un montón de tópicos en la boca: que si son tristes, que si hablan raro, que si está desconchada, que si no era tan barato como esperabais... Y sin haber apreciado lo que tienen de admirar, lo que nos acerca y lo que nos separa. No te habrás asomado al alma portuguesa.

Viaja en sus tranvías, toma los elevadores, y desde sus miradores recorre todos sus barrios con la mirada; toma barcos y trenes, el metro te sorprenderá con sus estaciones impresionantes y originales, el teleférico en el barrio de la Expo, cruza los puentes y atraviesa sus arcos; contempla las estatuas ilustres o populares.




Asómate al río Tajo, "O Tejo", y déjate acariciar por su brisa... hasta te puede sorprender un chaparrón de verano... al rato saldrá el sol, ese sol que dora Lisboa al atardecer.

No vayas como un turista avasallador y ruidoso, no te creas con derecho a todo porque para eso pagas; no pienses que tienen la obligación de entenderte, su idioma es el portugués - en París o en Londres no lo pretenderías -. Pide las cosas por favor, con una sonrisa, y da las gracias, "muito obrigado ", saluda con "bom día" o "boa tarde" y te atenderán amablemente. Será extraño que te encuentres con un portugués descortés, si ocurre, piensa que puede ser que estés pagando por otros que hayan ido de arrogantes...

¿Me dices que si es que no tienen defectos ? !!!. Sí, los tendrán, pero los ojos enamorados no los ven como tales, y en ningún caso los publican.

Ah, recuerda que están orgullosos de ser portugueses (en esto nos pueden dar lecciones). Ya lo dijo Luis Figo: "Eu sou português". Es un pueblo sencillo, dicen que pequeño, pacífico: los portugueses sólo hicieron una guerra civil y la revolución más tierna de la historia en la que los militares subidos en los tanques metieron claveles en los fusiles para no poder disparar.

Volvamos a Lisboa:
Te encantará la luz de la mañana y la de la tarde brillando en sus fachadas de azulejos de tantos colores, ver ponerse el sol buscando el mar. Brillante el Tajo te alucinará cruzarlo en coche por el Puente 25 de Abril o por debajo de su calzada en tren o a bordo de un "cacilheiro" rodeado de portugueses que vuelven del trabajo o de compras y con algunos turistas como tú. ¡¡No hay río peninsular que haya visto esto ni en sueños!!.


Puedes bordear la orilla del Tajo siguiendo la vía de los "caminhos de ferro" hasta el mar de Cascais que ya es ni más ni menos que el Océano Atlántico o tierra adentro hasta Sintra ¡una maravilla!.




Comprendo que ya te estés mareando ante tanta belleza... y casi no hemos visto nada de Lisboa.

Vamos a descansar sentados en un café en Rossio, por ejemplo, o en un restaurante si es hora de comer o de "jantar", preferiblemente donde comen los portugueses, que saben comer bien y económico... Deja hueco para los pasteles... Hablando de pasteles: Vamos al barrio de Belém.



Te deslumbrará la Torre de Belém, varada en el río, como si fuera un castillo de cuento moldeado en la arena por una "criança", por ti mismo cuando eras pequeño. Pasea hasta el Monumento a los Descubridores y admira sus figuras históricas tan humanas y contempla el 25 de Abril desde la Esfera Armilar, acércate a la Rosa de los Vientos buscando tus propios pies, a ver si pones uno en Lisboa y otro en Madrid ¡qué cerquita estamos !...




Házte una foto, házte muchísimas fotos: son demasiados lugares hermosos para dejarlos sólo en tu memoria.

Siéntate un poco y piensa: ¿¡ Cómo no van a tener "saudade" si su historia ha sido salir por el Mundo a descubrir tierras desconocidas o salir por el Mundo para ganarse la vida!?. Es un pueblo de emigrantes. Es un pueblo trabajador.

Seguimos en Belém: ¡Quítate el sombrero ante la fachada del Mosteiro dos Jerónimos!... y no te digo nada cuando entres en su iglesia ¡Preciosa!. Descansa en el jardín comiéndote un pastel.




Después toma el tranvía 15 hasta la Praça do Comércio, recórrela, entra en la Rua Augusta por el gran Arco, cuando tengas a la vista el Castelo de São Jorge contémplalo, desde su muralla alguien te estará viendo a ti.

Busca el Elevador de Santa Justa y ¡esto sí que es divertido!, tú que eres joven y con buenas piernas... ¡a subir !, y admira desde su terraza casi toda Lisboa y las ciudades de la otra orilla del Tajo. Hay una docena de miradores oficiales aunque toda Lisboa es un mirador.

Estás en Figueira o en Rossio ¡qué plazas!. ¿Te has fijado en el suelo  Es la calçada à portuguesa. ¡¿y si la pisamos no se estropea ?!.

Sigue descubriendo esta ciudad en la que Miguel de Cervantes tuvo amores con una misteriosa y hermosa lisboeta. ¡Qué amantes de Don Quijote de La Mancha son estos portugueses!.

Y según vayas conociendo esta tierra, querrás saber más de su idioma, de su cultura, de sus canciones, de su modo de ser y vivir, ... y de por qué nos tienen tanto recelo a los españoles, y algún día, cuando hayas regresado muchas veces, lamentarás que la historia nos haya separado de tal manera que vivamos de espaldas.

Cuando vuelvas a casa, viendo las fotos, piensa en el lugar de Lisboa que más emoción te produce y proponte volver allí algún día con la persona amada. Esto es saudade.



Si el viaje te ha calado, cuando hables con los amigos no lo harás como esos turistas que presumen de conocer Lisboa - y Portugal entero - después de pasarse un fin de semana metidos en un autobús lleno de españoles con un guía que les explica en español lo que ven a través del cristal.

Y para preparar el próximo viaje a Lisboa, a Porto, a Évora, a Viana de Castelo, a Aveiro, a Guimarães, a Coimbra, a Setúbal, a Espinho, a Nazaré, a Amarante... a Madeira o a las Açores, lee a autores portugueses.

Decía José Saramago en "Viaje a Portugal" que el viajero volvía a los lugares para ver de noche lo que vio de día, con sol lo que vio lloviendo, en verano lo que vio en invierno... No quieras verlo todo : deja pendiente sitios imprescindibles para tener que volver.

Felipe Mellizo, que era una buena persona, periodista español, amante de Portugal, decía que LISBOA es el lugar donde van los españoles que han sido buenos en esta vida.